Hypnos/A-GPHM
A formar Terapeutas desde 2008

Meditação e auto-hipnose parecem semelhantes, mas têm propósitos distintos. Perceba as diferenças, o que as une e como podem funcionar em conjunto.

É uma das perguntas que mais vezes me fazem, tanto em sessão como em workshops ou palestras e percebo o porquê, quem pratica meditação regularmente reconhece algo de familiar quando experimenta auto-hipnose pela primeira vez e quem chega à hipnoterapia sem experiência prévia, muitas vezes já meditou e pretende saber se pode aproveitar o que já sabe.

A resposta curta é: não são a mesma coisa, mas a resposta mais útil é perceber exatamente onde se distinguem porque aí está a chave para retirar partido das duas.

A resposta curta é: não são a mesma coisa, mas a resposta mais útil é perceber exatamente onde se distinguem porque aí está a chave para retirar partido das duas.

O que é a meditação?

Quando meditamos, o convite é para estar, só isso. Não existem problemas para resolver, não há um destino a alcançar, a prática convida-nos a observar o momento presente sem julgamento, a deixar passar os pensamentos sem nos agarrarmos a eles, a simplesmente existir.

Nesse sentido, a meditação é uma prática de aceitação, aceitação da sua individualidade, do que sente, do que está a acontecer: incluindo o desconforto, o barulho mental, a distracção. A maioria das tradições meditativas, desde o mindfulness ao zen, têm isto em comum: não há um objectivo a atingir além da própria presença.

É um espaço sem agenda e há que reconhecer um valor imenso nisso.

Pessoa a praticar auto-hipnose

O que é a auto-hipnose?

A auto-hipnose parte de um ponto diferente, quando entramos neste estado é com uma intenção específica. Pode ser reduzir a ansiedade antes de uma situação importante, trabalhar um padrão de comportamento que já não nos serve, reforçar uma crença nova, modificar uma resposta emocional automática, ou simplesmente instalar mais calma num período de maior exigência.

É uma ferramenta de propósito e como qualquer ferramenta, o que importa é saber quando e como usá-la.

No meu trabalho com pacientes, ensinar auto-hipnose é uma parte natural do processo terapêutico, não porque seja “um extra”, mas porque devolve à pessoa a capacidade de continuar a trabalhar fora das sessões, com autonomia.

Onde se parecem e onde se distinguem?

Há pontos de contacto evidentes, ambas as práticas trabalham com estados de atenção diferentes da que usamos no quotidiano. 

As duas promovem relaxamento, reduzem o ruído mental, e criam condições para aceder a camadas mais profundas de nós mesmos, por isso a confusão é compreensível, mas a diferença fundamental está na orientação.

A meditação abre espaço, enquanto que a auto-hipnose utiliza esse espaço para trabalhar em algo concreto.

Uma analogia simples: é a diferença entre sentar numa sala tranquila simplesmente para respirar, e sentar nessa mesma sala com um caderno e um propósito. O ambiente é semelhante, mas o que se faz ali dentro é diferente.

Podem funcionar em conjunto?

Sim e funcionam muito bem. Uma pessoa que já pratica meditação tem, em geral, mais facilidade em entrar em estados hipnóticos, está treinada para deixar ir os pensamentos, para manter o foco sem tensão e para não resistir, são competências que se transferem. 

E o inverso também acontece: quem trabalha a auto-hipnose com regularidade costuma desenvolver uma maior capacidade de presença e atenção plena que é, no fundo, o que a meditação treina.

Não são concorrentes, são ferramentas diferentes com lógicas diferentes e perceber essa diferença é o primeiro passo para usar cada uma com mais inteligência.

Se chegou a este artigo porque anda a explorar estas práticas por conta própria, isso é óptimo. A auto-hipnose é algo que qualquer pessoa pode aprender a usar no dia-a-dia, com os devidos fundamentos.

Se já medita há algum tempo e está curioso sobre o que a hipnoterapia pode oferecer que a meditação não oferece, essa é exatamente a conversa certa para termos. Estou disponível para esclarecer dúvidas e explicar mais sobre estes temas. 

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